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Companheiros de viagem

 (por Alexandre Pelegi)

Foi no filme “Melhor É Impossível”, estrelado por Jack Nicholson e Helen Hunt, que ouvi uma daquelas declarações de amor que considero definitiva: “Você me faz querer ser alguém melhor”… A frase, mais do que fazer a personagem vivida por Helen Hunt se desmanchar em lágrimas, levou-a a baixar a guarda e a desmontar todas aquelas defesas naturais que carregamos a tiracolo quando o assunto é amor. A decisão de partilhar a vida com outra pessoa é um dos grandes fatores de mudança do ser humano. Se causamos esse desejo em alguém, ou se o oposto acontece, não importa o sujeito da ação: o que vale e fica é que fazemos, cada um a seu modo, a diferença na vida do outro. Mais que isso, mostra que cada um tem o poder de levar quem ama a abandonar o conforto do porto seguro para se atirar numa arriscada aventura em alto mar; a trocar o destino da viagem, seja ele qual for, pela companhia que esta experiência proporciona, não importa o norte, nem o roteiro a seguir. Conhecer o mundo acompanhado é instigante e tentador. Descobrimos com o tempo e a experiência que a paisagem externa é sempre decidida pela companhia que trazemos na viagem. É quando entendemos que muito do que vemos do lado de fora da janela do avião ou do ônibus – não importa o veículo -, não está em nossos olhos, mas na emoção que trazemos conosco. O coração determina o que vemos e sentimos. Viajar bem acompanhados, mesmo quando a solidão é nossa companheira opcional e consciente, é a melhor fonte de prazer, seja na vida ou no turismo. O que, convenhamos, dá no mesmo; afinal, estamos no mundo só de passagem… Escolher, ou ser escolhido, torna não só nossa viagem terrena menos turbulenta, como inesquecível e reveladora…

A Reflexão

A Reflexão

(Luciano Pires)

 

Lembro-me da história de um alto executivo que trabalhava na costa Oeste dos EUA. Um dia, recebeu um convite para transferir-se para outra empresa, em Nova Iorque, a cerca de 4.500 de quilômetros de distância. Quem o convidou passou a seguinte instrução: ”Venha para cá conversar. Mas você deve vir de trem. Numa cabine só sua. Sem livros, TV, rádio, revistas ou jornais.

O executivo estranhou a instrução, mas atendeu. Durante horas permaneceu sozinho com seus pensamentos. Nada para distrair a atenção. Apenas refletindo. No trem, teve muito tempo para raciocinar a respeito e entendeu a instrução “absurda” de seu amigo.

 Foram aquelas horas de concentração que lhe permitiram avaliar profundamente a proposta, as conseqüências e os riscos.Quando chegou a NY, já tinha tomado a decisão que mudaria sua vida: aceitou a proposta. Este mundo louco no qual vivemos está tirando nossa capacidade de reflexão. Dedicamos pouco ou nenhum  tempo a refletir sobre a montanha de dados e informações que recebemos diariamente.

E por  isso,  tudo que conseguimos é viver como num rebanho. Todos ruminando, resignados, com o rabo do olho no boi ao lado. Quando o outro boi  se mexe, a gente se mexe também. Quando a manada estoura, todos correm, sem saber a razão. E depois param, ninguém pergunta nada e voltamos à resignação bovina…

É a esse estado de contemplação vazia que a falta de reflexão nos leva. Dê uma parada aí, meu. Uma paradinha pra refletir sobre você e sua vida. É a única forma de fugir da boiada…

 

O útero pulsa, sangra.

Respira e dança,

chora e ri, além de sim mesmo.

Exibe uma implantação

num solo fertil.

Na multiplicação das células

ele se interpõe e busca nutrição.

Para crescer com umidade,

nutrientes, calor e pulsação.

E daqui  há 9 meses

Nascer!!!

Come Closer

Come Closer

Desde que te conheci, penso:

nas suas mãos, na minha pele.

Na sua boca, entre as minhas pernas.

Nos seus musculos, nas minhas unhas.

Na sua carne, na minha fome.

No seu gosto, na minha cama.

Come closer.

(Carla Ferreira)

Trabalhe para a eternidade…

(Irineu Toledo)

Trabalhe para a eternidade. Você vai estar lá se quiser…

Trabalhe sempre para si mesmo e para a beleza do mundo.

Você não está se realizando no trabalho? Então tente descobrir onde está o erro; em você ou no trabalho? Se estiver no trabalho, procure encontrar um outro jeito que atenda às suas expectativas. Mexa-se e supere-se. Se ainda não chegou a hora de fazer o que você realmente gosta, então tente gostar do que você faz…

 Espero que você esteja de bem com a vida, de bem com a sua rotina, em harmonia interna.Por maiores que sejam as dificuldades a enfrentar neste dia, tenha consciência de que tudo é passageiro. Entenda  que as vezes você tem que dedicar o seu tempo pra resolver um problema. Faça isso sem reclamar. Não transfira todo o peso do mundo para seus problemas.

Faça da sua presença uma ação determinada para uma solução. Tenha uma atitude positiva em relação as coisas, inclusive as problemáticas que você, as vezes, é obrigado a enfrentar no seu dia-a-dia. Sejam as dificuldades nas finanças, a difícil tarefa de  fazer empatar o dinheiro do salário com todos os dias do mês e manter as contas em dia. Seja resolver aquelas questões familiares, as escolhas dos filhos que nem sempre são as escolhas dos pais, as dificuldades do relacionamento com o marido, ou com a esposa, as dificuldades com o chefe, as dificuldades profissionais, e as vezes ainda pior: ter de lidar com as dificuldades para tratar de alguém muito querido, muito próximo que vive entrevado, que vive em doença e precisa da sua ajuda.

Não faça da sua atitude algo que se transforme num pesar. Se você pode contribuir, se pode fazer, faça com amor, com dedicação. É a partir dessa atitude a partir de uma disposição positiva interna que as coisas podem melhorar. Não existe coisa pior do que gente que ajuda os outros, e depois fica se lamentando o resto do dia de tudo aquilo que se vê obrigado a fazer.

Mas aquelas frases “Você não imagina o que eu passo, o que eu tenho que viver, nem quero falar o que eu estou sofrendo”. Não diga frases como essas. Faça somente  o que manda o seu coração e depois,  esqueça. Se é a sua vez de fazer, se é a sua missão, se é a sua obrigação,faça sem tornar o seu fazer uma penitência. E mantenha o espírito alegre para que as coisas funcionem de um jeito bom, de um jeito leve. A leveza é uma qualidade. Não gostamos de pessoas que chegam perto da gente com aquela cara amarrada, pesada. Ninguém gosta de ficar perto de alguém pesado que reclama e fala mal de tudo o tempo todo.

Por isso analise-se constantemente e avalie  a todo momento, como é que você  reage em relação a vida, em relação as circunstâncias. Bom humor, alegria, disposição são fontes de energia e sabedoria para o dia a dia, considere isso.

Não se desespere porque o dia será do jeito que você fizer…..

O que você vai fazer desse dia? 

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento que “exercem” tanto poder sobre nossas vidas? Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Então, como aliviar os sintomas desta doença? Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada. Por isso divulgue o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Michel Schimidt – Psicoterapeuta

1) Quem tem um objetivo na vida irá se defrontar com uma força oposta; para eliminar esta força, é preciso aprender como fazê-la trabalhar a seu favor. 

2) Um verdadeiro guerreiro jamais sacrifica seus amigos para derrotar o adversário; portanto, ele tem que aprender a detectar e resolver os problemas antes que eles se manifestem. 

3) A melhor maneira de enfrentar-se com o adversário é convencê-lo da inutilidade de seus gestos. O guerreiro mostra que seu objetivo não é destruir nada, mas construir sua própria vida. Quem caminha em direção ao seu sonho busca a harmonia e o entendimento antes de qualquer coisa, e não se importa de explicar mil vezes o que deseja, até ser escutado e entendido. 

4) Não fique olhando o tempo todo os problemas que estão no seu caminho: eles terminarão por hipnotizá-lo, impedindo qualquer ação. Tampouco fique concentrado demais nas suas próprias qualidades, porque elas foram feitas para serem exibidas. 

5) A força de um homem não está na coragem de atacar, mas na capacidade de resistir aos ataques. Desta maneira, prepare-se – através de meditação, exercícios, e uma profunda consciência de seus propósitos – para agüentar firme e continuar no caminho, mesmo que tudo e todos à sua volta procurem afastá-lo de sua meta. 

6) Em situações extremas, principalmente quando você já está quase perto do seu objetivo, o Universo irá testar os seus propósitos, exigindo o máximo de sua energia. 

7)Esteja preparado para grandes provas, à medida que o sonho se torna realidade. 

8 ) Não olhe sua vida com ressentimento, e esteja preparado para aceitar tudo aquilo que os deuses lhe ofereceram; cada dia traz em si a alegria e a fúria, dor e prazer, escuridão e luz, crescimento e decadência. Tudo isso faz parte do ciclo da natureza – portanto não tente reclamar ou lutar contra a ordem cósmica. Aceite-a, e ela o aceitará. 

9) Se o seu coração for suficientemente grande, ele será capaz de acolher todos aqueles que se opõem ao seu destino; e uma vez que você os tenha acolhido com amor, será capaz de anular a força negativa que seus adversários traziam. 

10) Quando perceber que um adversário se aproxima, avance e lhe diga palavras delicadas. Se ele insistir na sua agressividade, não aceite a luta a não ser que ela vá lhe acrescentar algo; neste caso, utilize a força do oponente, e não gaste a sua energia.

 11) Saiba o momento correto de usar cada uma das quatro qualidades que a natureza nos ensina. Dependendo das circunstâncias, seja duro como um diamante, flexível como uma pena, generoso como a água, ou vazio como o ar. Se a origem do seu problema é o fogo, não adianta contra-atacar com mais fogo, porque isso só irá aumentar o incêndio: neste caso, apenas a água será capaz de combater o mal. Nunca o problema pode lhe ensinar como reagir a ele – só você tem poder para isso. 

(Texto publicado por Paulo Coelho compilando palavras de Morihei Ueshiba, criador do Aikido)

Beijar bem

Ok: A gente quer encontrar alguém bonito, inteligente e espirituoso, alguém que não seja muito exibido nem vaidoso demais, que tenha um papo cativante e esteja parado na nossa. Mas e se beijar mal? Sem chance. tem que beijar bem, tanto eles quanto elas.

Quando escuto alguém dizendo que fulano beija bem e sicrano beija mal, quase volto a acreditar em histórias da carochinha. Beijar é a sorte de duas bocas entrarem em comunhão.

Pode um Rafael beijar uma Ana e ser uma explosão vulcânica, e o mesmo Rafael beijar uma Ana e ser um encontro labial de dar sono. Pessoas não beijam bem ou mal: casais se beijam bem ou mal. Há sempre dois envolvidos.

 A definição de um beijo bom é que pode ser questionável, mas quem está no meio do entrever quase sempre reconhece o ósculo sublime.

 Beijo bom é bem decidido, mesmo que a decisão seja levá-lo devagar ao longe. 

 Beijo bom é beijo molhado, em que os beijadores doam tudo o que há para doar na cavidade bucal, sem assepsia, entrega absoluta.

Beijo bom é beijo sem pressa, que não foi condenado pelos ponteiros do relógio, que se perde em labirintos escuros já que, é bom lembrar, estamos de olhos fechados.

Beijo bom é beijo que você não consegue interromper nem que quisesse. Beijo bom é beijo que não permite que seu pensamento tome forma e voe para outro lugar.

 E, por fim, beijo bom é beijo que está sendo dado na pessoa por quem você é completamente apaixonada.

Existe beijo ruim? Existe. Beijo sem alma, beijo educado demais, beijo cheio de cuidados, beijo seco. Mas uma coisa é certa: precisa dois para torná-lo frio ou quente. Todo mundo pode beijar bem, basta nossa boca encontrar com quem.

(Texto de Martha Medeiros)

 por Alexandre Pelegi

 Há pessoas que têm o hábito de sonhar, como há aquelas que nunca sonham porque não conseguem se desligar de seus hábitos… Os que sonham por hábito correm o sério risco de nada realizar. Sonham tanto que chegam a pensar que é real aquilo que só se passa em seus devaneios. Criam um mundo imaginário, bem distante da dura realidade que todos temos de encarar desde a hora que levantamos. Quando a única alternativa possível para evoluir está em encarar a dureza dos obstáculos, fogem de mansinho para este mundo lúdico. Os que deixam de sonhar por apegos a hábitos formam o lado oposto. Gostam de ser vistos como realistas, gente pé-no-chão. Partem do princípio de que as coisas não são modificáveis, existem para que nos adaptemos a elas, e quaisquer tentativas de subverter tal axioma quase divino são encaradas como insanas e perigosas. Apesar de se sentirem seguidores da objetividade, tornam-se o que há de pior num ambiente social – são os conformistas, avessos às mudanças, guardiões do status quo. Descobrir a linha que separa o sonhar do fazer é parte da busca pela felicidade. Define com crueza até que ponto somos lunáticos, até que instante nos tornamos obstáculos. Se somos peso morto nas mudanças, ou se nos tornamos defensores da constância. O sonho se alimenta da vida, e a vida só tem graça se é movida a sonho. Logo, sonhar é condição para ser feliz. Felicidade, no entanto, não é sonho, mas um estado de espírito que só atingimos quando nos permitimos ser aquilo que ainda não somos; quando acreditamos que podemos; e quando realizamos, entre o sonhar e o fazer, o verdadeiro tamanho do que somos. Sonhar é portanto a única maneira de se autoconhecer. De sentir nossos limites e deficiências. De descobrir nossas virtudes e vocações, talentos e habilidades. Sonhando nós tornamos possível o que queremos, ao mesmo tempo que aprendemos a querer somente aquilo que sentimos possível. Essa mágica acontece porque neste exercício de vida vamos calibrando a distância dos caminhos ao tamanho de nossas pernas; a extensão dos horizontes ao alcance de nossa vista; a fruta dos desejos ao comprimento de nossos braços. Nem sonhadores, nem conformistas. Nosso propósito de vida é aprender a sonhar enquanto se vive, e a viver com prazer graças aos sonhos que nos permitimos.

Às favas com o amor! Eu quero é ser feliz…

(Rosana Braga)
Pois é… a sensação que tenho tido, nos últimos tempos, é de que essa busca pelo grande amor, pelo par ideal, pelo príncipe encantado, pela felicidade infinita – que deveria ter se configurado como um caminho edificante e enobrecedor – tem servido bem mais para transformar a vida de um grande número de pessoas numa insanidade que é, sobretudo, ineficaz. 
Basta repararmos um pouco mais atentamente na enorme confusão que tem sido tantas relações (com suas intermináveis tentativas de nomenclaturas) e terminaremos por concluir que nisso tudo tem algo que precisa ser revisto, reavaliado e reconduzido. 
Se estudarmos um pouco mais profundamente a história da humanidade, não demoraremos a descobrir que o comportamento entre homens e mulheres, incluindo o desejo sexual e suas mais diversas manifestações, passou por algumas transformações significativas antes de chegar neste cenário em que vivemos atualmente. 
Se no começo tudo era uma questão de sobrevivência e perpetuação da espécie, não há muito tempo nasceu o desejo pelo conforto, pela fartura, pelo bem-estar. Eis também o nascimento do amor romântico e dessa tão visceral busca pela felicidade, que passou a ganhar um sentido bem mais amplo e refinado do que tinha até então. 
Daí para alcançarmos este ritmo alucinante de mudanças, não demorou quase nada. Bem menos de um século apenas. E neste momento vivemos como que em meio a um furacão, recheado de dúvidas, incertezas, inseguranças, expectativas e perspectivas cujas bases estão trincadas, em plena reforma.
E a pergunta se repete, incessantemente: por que tem sido tão difícil viver esse tal grande amor? Por que embora esse pareça ser o maior desejo da grande maioria, o que reina são os desencontros?
Talvez você também já tenha vivido contradições profundas como essas. Talvez já tenha acreditado piamente que tudo o que mais desejava era amar e ser amado e, diante desta possibilidade, não soube o que fazer, ou fez tudo errado… 
Talvez já tenha dito para si mesmo, incontáveis vezes, que prefere ficar só, desfrutar de sua liberdade, preservar seu espaço e sua individualidade e, cara a cara com seu espelho, sentiu medo da solidão ou o peso quase insuportável da falta de um abraço… 
E nesses momentos, convencido (?) pela atual corrente de pensamento que afirma que tudo só depende de você, o conflito interno é praticamente inevitável: o que eu realmente quero? Se depende só de mim, por que será que as pessoas influenciam tão diretamente no modo como me sinto? E se a responsabilidade pelo que me acontece é somente minha, por que nem sempre alcanço os resultados para os quais tanto me dediquei? 
Não sei… mas diante de todos esses pontos de interrogação, tendo a concluir que este é um momento da história das relações de completa metamorfose. O que era antes não é mais. O que será ainda não sabemos. Agora, somos homens e mulheres repensando seus papéis, seus desejos, seus lugares dentro dos encontros amorosos, da família e da vida em geral. 
O problema, então, talvez seja o apego e o anseio por uma idéia de grande amor que é incompatível com a realidade atual. Um grande amor que não seja castrador e submisso como o que viveram nossos avós, mas que também não seja tão livre e descomprometido como este que temos experimentado nas últimas décadas. De preferência, que seja intenso, romântico, perfeito, cheio de encanto e paixão, como descrevem os poetas e compositores ou mostram os filmes das telas dos cinemas… Daqueles que chegam e nos arrebatam de uma vidinha que não temos suportado carregar sozinhos (porque é exatamente assim que tenho visto muita gente esperar por um grande amor). Ah! E que seja para sempre, claro! 
Não percebemos que essa busca não é coerente com as atitudes que temos tido ou com o modo de vida que temos adotado. As engrenagens externas estão desencaixadas das internas. Os ritmos estão desencontrados. O que se deseja comprar não é o que está à venda e ainda assim pagamos o preço para ter o que está nas prateleiras. Estamos perdidos entre sentir, querer, fazer, parecer e, enfim, ser!
Tudo bem… acho até que não daria pra ser muito diferente disso, já que a fase é de profundas mudanças, mas aposto que o caminho poderia ser bem mais suave e prazeroso se parássemos de acreditar que o “grande-amor-dos-contos-de-fadas” é a solução na qual devemos investir toda a nossa existência. 
A insanidade (que é o que mando às favas, na verdade) fica por conta dessa insistência em acreditarmos que amor é um ‘estado civil’ qualquer que devemos atingir e, uma vez nele, a felicidade é certa. Não é! Felicidade é aquela que temos a oferecer e não aquela pela qual temos esperado. E é também bem mais incerta, imperfeita e inconstante do que temos imaginado. Simplesmente porque somos gente e gente é assim: incerta, imperfeita e inconstante. 
E quando, finalmente, aceitarmos esse fato, creio que teremos começado a compreender o que é o amor…

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